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BIOGRAFIA


Helena Kolody nasceu em Cruz Machado-PR em 12 de outubro de 1912 e faleceu em Curitiba, capital do Paraná, em 15 de fevereiro de 2004 aos 92 anos!

Museu da Imagem e do Som do Paraná.

1991 - Eleita para a Academia Paranaense de Letras.

1992 - O filme A Babel de Luz, do cineasta Sylvio Back, homenageia os 80 anos da poetisa, tendo recebido o prêmio de melhor curta-metragem e melhor montagem, do 25° Festival de Brasília.

2002 - Exposição em homenagem aos 90 anos da poetisa, na Biblioteca Pública do Paraná.

2003 - Recebe o título de "Doutora Honoris Causa" pela Universidade Federal do Paraná.

Seus pais foram imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil e aqui se casaram.

Foi professora do ensino médio e inspetora de escola pública.Também lecionou na Escola de Professores da cidade de Jacarezinho (PR) ,onde atuou por vários anos, na área de Biologia.

É a poetisa mais importante de seu estado natal, o Paraná, e praticava principalmente o haicai, que é uma forma poética de origem japonesa, cuja característica é a concisão, ou seja, a arte de dizer o máximo com o mínimo. Escrevia desde a adolescência e foi a primeira mulher a publicar haicais no Brasil, em 1941.

Admirada por poetas como Carlos Drummond de Andrade e Paulo Leminski, sendo que, com esse último, teve uma grande relação de amizade pessoal e literária, segundo o que consta em seu livro Viagem no Espelho.

Inaugurou em 1941 a série de mulheres haicaístas do país. Dona de uma enorme coleção de adjetivos-virtudes, palavras-emblemas, atribuídos a ela pelo povo paranaense. Helena deixou uma obra, que na qualidade lembra outra grande poeta: Cecília Meirelles.

O amor que ela conquistou pelos poemas, pelos livros, juntou-se à lira de sua poesia feita de canções à vida, da solidariedade, da natureza e a inquietude da condição humana. Pode-se brincar dizendo que as letras iniciais do nome da poetisa, HK, são as mesmas de quando se grafa hai-kai, como ela o fazia.

A grande amiga e poetisa curitibana, HILDA PERSIANI, teve o privilégio de ser sua aluna e amiga pessoal!

1985 - Recebe o "Diploma de Mérito Literário da Prefeitura de Curitiba".

1987 - Recebe o título de "Cidadã Honorária de Curitiba".

1988 - Criação do "Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody", realizado anualmente pela Secretaria da Cultura do Paraná, em sua homenagem.

1989 - Gravação e publicação de seu depoimento para o Toda vestida de luar,

A poesia de Helena é como uma suave melodia que enaltece a vida.

Em pequenos versos e poucas rimas a poetisa encanta o leitor com sua simplicidade e amor à sua história . Portanto, em "síntese", é fácil evidenciar a vida dessa grande poetisa que nasceu em 1912 no Município de Cruz Machado, em pleno sertão paranaense, sendo a primogênita de imigrantes ucranianos que se conheceram e se casaram no Paraná. Formou- se em Magistério pela Escola Normal de Curitiba e lecionou até 1962 em escolas públicas de Curitiba e Jacarezinho.

Helena, em princípio, foi muito criticada com argumentos de que o que escrevia "não era soneto, não tinha rima, não era poesia". Mas, ela gostava de desafios e assim tornou- se a primeira paranaense "Hajin" ( pessoa que cultua Haicai), com o nome artístico de Reika ( perfume da poesia), concedido em 1993 pela comunidade nipobrasileira de Curitiba.

O haicai é uma forma de poesia japonesa, pequeno poema de três versos; com cinco, sete e cinco sílabas poéticas sucessivamente. Os haicais japoneses têm sua origem no canto, faziam parte de diários de viagem, numa interação prosa/ poesia. A concentração verbal dos haicais consegue o máximo efeito estético numa linguagem sintética. Em seu livro "Música Submersa"(1945), figura o haicai Pereira em Flor, o qual foi muito elogiado, inclusive por Carlos Drummond de Andrade. Eis o poema:

De grinalda branca,
A pereira sonha.

Neste poema torna- se clara a definição : "o Haicai é um poema curto que pode refletir a necessidade de captar um momento simples, cotidiano e torná-lo em poesia." Chama atenção a personificação da árvore. A linguagem do poema, aparentemente simples, mas altamente elaborada e metafórica, revela uma organização de imagens e associações criativas.

Helena Kolody foi vencedora de vários concursos, tema de filme, peça teatral e tese universitária; é autora de numerosos livros, sendo que "paisagem interior" (1941) foi o primeiro a ser editado, além de vários outros como:"Música Submersa" ( citado anteriormente), "Infinito Presente"(1980), "Viagem no Espelho" (1995) e "Caixinha de Música"(1996).

O livro "Sinfonia da Vida"que teve como organizadora Tereza Hatue de Rezende, estudiosa da obra de Helena, reúne vários poemas da poetisa que escreve em "síntese". Certa vez Helena foi criticada por um paranaense, crítico de arte no Rio de Janeiro, o dr. Andrade Muricy, que aconselhou- a:

"Você vai muito melhor no poema curto. Você quer encompridar e, às vezes, você dilui o poema ou se repete. Você tem talento para síntese". Segundo a autora, daí em diante, começou a cortar os excedentes,. Deixando só o sumo essencial.

Para Helena Kolody poesia é: " A transfiguração/da realidade em beleza/ pela magia das palavras". E o poeta é: "uma alma sensível, captando seus próprios sentimentos, bem como os acontecimentos do mundo que lhe ferem a sensibilidade."Os mais variados temas estão presentes na obra de Helena. Alguns recordando seu tempo de menina como: "Cantiga de Roda"(1964); mostrando sua face ucraniana : "Lição"(1980); seu realismo e otimismo: "Nunca e Sempre"( 1990); sua religiosidade: "Sarça Ardente" (1970) ; suas paixões e perdas: "Nós" ( 1966) e outros deixam transparecer a sua maturidade poética: "Tríptico"(1985) e "Olhos de Antes"(1986).

Nunca e Sempre
(1990)

Sempre cheguei tarde
ou cedo demais.
Não vi a felicidade acontecer.
Nunca floresceram
em minha primavera
as rosas que sonhei colher.
Mas sempre os passarinhos
cantaram e fizeram ninhos
pelos beirais do meu viver.

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Para instigar a curiosidade dos leitores...

Significado
(1986)

No poema
e nas nuvens,
cada qual descobre
o que deseja ver.

Características de sua criação poética

Segundo Nicolás Hec, seu biógrafo e tradutor para o ucraniano, o conteúdo principal das poesias de Helena Kolody é de “tranquilas reflexões sobre a época contemporânea, conforme sua visão, cheia de controvérsias, perturbações, incertezas e violência, e na qual o progresso tecnológico se contrapõe à miséria e morte de fome de milhões. Para reformar a vida e construir um mundo melhor, a autora – sendo cristã e mestra – propõe como pedra fundamental para reflexão o amor a Deus e a reeducação. Característica de seu estilo são a ausência de temas banais, de metáforas gastas ou analogias repetidas. A crítica literária ressalva que em cada volume novo a poeta supera-se com profundeza e síntese das idéias, transmitidas com palavras simples, lapidares.” (Luz Infinita, pág. 21.)

O elemento ucraniano em sua criação

Em algumas poesias, desde a sua primeira coletânea (1941), Helena Kolody sublinha abertamente a sua ligação sangüínea e espiritual com a pátria de seus antepassados – a Ucrânia; com sua história, seu povo, seu desejo de liberdade, e, finalmente, com a imigração ucraniana no Brasil e suas sofridas lutas. A pátria de seus antepassados, com seu povo sofrido e até há pouco sem liberdade, despertava no espírito da poeta e em sua “memória de sangue” um profundo sentimento de dor e sofrimento: “Sofre e chora em mim o espírito de meus antepassados”.

Já a imaginária natureza da Ucrânia, as “estepes de florido urze”, os “bosques de bétulas”, o “Dnipró cantado por Tarás” e as canções ucranianas – embalavam a escritora “com a antiga saudade escondida, despertada em seu sangue” e aqueciam seu coração com agradável calor e alegria. Por veneração ao Grande Kobzar (Tarás Chevtchenko), fez ela ainda em 1940 a tradução adaptada de alguns de seus versos (como “Dúme moií”, “Tchohó mení tiázhko”, e outros), publicados em “O Lavrador”.

Na década de 1950 colaborou na estilização poética de traduções para o português de poesias ucranianas, que foram incluídas na “Antologia da Literatura Ucraniana” organizada por Wira Selanski, e que conta com duas edições: 1959 e 1977.

Seu lugar na literatura brasileira

Já a primeira coletânea de poesias de Helena Kolody (“Paisagem interior”) foi entusiasticamente recebida pelo círculo de literatos paranaenses de então. Enviada em 1942 para um concurso de poesias organizado pela Sociedade de Escritores do Brasil, no Rio de Janeiro (ou Sociedade de Homens de Letras, como consta em “Um escritor na Biblioteca – Helena Kolody”, Biblioteca Pública do Paraná, 1986), a coletânea ficou com o segundo prêmio.

Foi esse um grande êxito, principalmente levando em consideração o reservado posicionamento do centro cultural do Brasil para com a então “muda e culturalmente pobre província do Paraná”. Após o aparecimento de sua segunda coletânea (“Música submersa”), em 1945, um crítico paranaense fez o seguinte comentário: “Hoje o Paraná a admira. Amanhã o Brasil a consagrará.” Com as coletâneas seguintes, conquistou ela da crítica paranaense as merecidas denominações de “princesa da poesia”, “poetisa de asas douradas e de aço”, “poetisa da eternidade” e “maior poetisa do Paraná”.

Segundo um eminente poeta, Helena Kolody iguala em muitos aspectos a maior poetisa brasileira, Cecília Meireles (1901-1965). O irreverente Paulo Leminski, em artigo intitulado “Santa Helena Kolody”, a chamou de “padroeira da poesia em Curitiba” (Gazeta do Povo, 26/06/1985). Para Helena Kolody, citando Camões a respeito do amor, a poesia era “um não sei quê, que nasce não sei onde, e vem não sei como...” (“Um escritor na Biblioteca”, pág. 13.)

Haicai

(Haiku ou Haikai) é um forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade.

O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer desse tipo de poesia uma prática espiritual.

Haikai no Brasil

O primeiro autor a popularizar o haikai no Brasil foi Guilherme de Almeida, que não só o dotou de estrutura métrica rígida, mas ainda de rimas e título. No esquema proposto por Almeida, o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo verso possui uma rima interna (a 2ª sílaba rima com a 7ª sílaba). A forma do haikai de Guilherme de Almeida ainda tem muitos praticantes no Brasil.

Uma outra corrente do haikai brasileiro é a tradicionalista. Promovida inicialmente por imigrantes ou descendentes de imigrantes japoneses, como H. Masuda Goga e Teruko Oda, essa corrente define haikai como um poema de três versos, escrito em linguagem simples, sem rima, escrito em três versos que somam dezessete sílabas poéticas (cinco sílabas no primeiro verso, sete no segundo e cinco no terceiro). Além disso, o haikai tradicional deve conter sempre uma referência à estação do ano, expressa por uma palavra (o chamado kigo = palavra de estação).Uma terceira forma de praticar o haikai no Brasil é a que não julga necessária a métrica nem o uso sistemático de uma referência à estação do ano em que o poema foi composto. Em nosso país, além de Kolody, os principais nomes são Paulo Leminski, Millôr Fernandes e Alice Ruiz.

Alguns haikais de Helena Kolody

Deus dá a todos uma estrela.
alguns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
que há pouco chorou.

Trêmula gota de orvalho
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.

Festa das Lanternas!
Os ipês estão luzindo
De globos cor-de-ouro.

Tão longa a jornada!
E a gente cai, de repente,






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